O retorno ao básico como compreensão da evolução: o pluralismo da contabilidade é singular

Luiz Gustavo Camarano Nazareth, Clóvis Luís Padoveze, Eduardo Vieira do Prado, André Luis Bertassi

Resumo


Alguns autores já empreendem a difícil tarefa de falar do avanço da teoria da contabilidade. No entanto, a mutação mercadológica e a competitividade no novo ambiente, dinamizaram e diversificaram a informação contábil, dificultando a identificação e separação, nas teorias, do que é útil e o que é supérfluo para o objetivo que se deseja alcançar, dando margem para críticos e oportunistas. Objetivou-se com este trabalho apresentar visões dicotômicas sobre as demonstrações contábeis e as questões que a permeiam, a fim de compreender e contribuir com a evolução dos conceitos e da normatização aderentes as elas, sem, contudo, alimentar visões alienadas da teoria existente, tendenciosas e/ou distorcidas do mundo real que cerca a área contábil. Para atender a este problema, a metodologia aplicada trata-se de um ensaio teórico. Esta incursão teórico-crítica permitiu reconhecer a necessidade de um retorno ao básico da ciência contábil, ressaltando os julgamentos que contribuíram para a sua evolução. Argumentou-se que o valor contábil, evidenciado nos demonstrativos, é fundamental porque permite demonstrar o retorno do investimento considerando os custos de aquisição. Já o valor de mercado é necessário porque mostra os ganhos adicionais patrimoniais além do lucro contábil. Nesta ótica, é indispensável evidenciar, também, o valor econômico nos demonstrativos contábeis, porque mostra a capacidade de geração de lucro do empreendimento. Admitiu-se que os instrumentos normativos balizadores da ciência contábil necessitam de ajustes para atender a dinamicidade do mercado, assim como seus usuários necessitam conhecer melhor a integridade, vantagens e particularidades da contabilidade e dos seus demonstrativos.


Palavras-chave


Contabilidade; Valor Contábil; Valor de Mercado; Valor Econômico.

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ISSN 1984-1213

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